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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Desabafos de Marina

Estava zangada. Zangada consigo mesma, com a vida, com tudo. Não queria questionar as voltas que a vida dá, por que havia de passar por tantas coisas desagradáveis ou mesmo os motivos que a faziam sorrir. Não queria ser vítima. Buscava apenas a compreensão. Desejava as coisas simples. Gostava de passear, de ver o modo que as pessoas encaram o que vem pela frente e o jogo de cintura que faz a quase todos seguirem em frente.
Gostava dos questionamentos, dos se's que trazem tantas possibilidades de coisas novas, das reflexões que fazem desistir do que não convém.
Desejava possuir... Não coisas materiais. Carecia de explicações, de presença, de coisas que nem mesmo saberia explicar. Era muito independente, muitas vezes, gostava de estar só, mas algumas presenças eram fundamentais em sua vida.

Fazia planos de estudar, de crescer... Queria deixar de ser uma menina sem brilho, não para ser uma estrela, mas para encontrar o seu lugar no mundo.
Adorava fotografias. De tudo! De pessoas, animais lugares. De coisas simples... Adorava música. Ela era uma presença constante em sua vida. A leitura, uma de suas maiores paixões, andava meio esquecida. Buscava urgentemente reencorporá-la, mas custava e ter a concentração de que necessitava. Via muitas dessas coisas, as quais dava tanto valor ficando cada vez mais distantes...

Não entendia o porque de muitas vezes se sentir zangada. Na verdade, ela não se compreendia muito bem, e era daí que vinha o vazio que sentia tantas vezes... Especificamente naquele dia, se sentia zangada e presa, queria andar, andar... Colocar para fora o que estava sentindo, de repente correr, gritar... Ou apenas ver a noite passando enquanto o vento bagunçasse seus cabelos. Se sentia só, de uma solidão sem cura, ao menos por aquele instante.
O que buscava ela? Encontrar sua paz...
O que mais desejava naquele instante? A presença de uma linda menina com o sorriso mais lindo do mundo, juntamente com o bem estar de todos aqueles a quem amava...
Simplesmente deitou e adormeceu. Amanheceria outro dia.

Marina Castro
Ps: Achei o texto triste...

3 comentários:

  1. Pode ser triste mas comovente e muito verdadeiro.
    Achei lindo!
    Obrigada pela visita e pela dica viu.
    Super bj

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  2. Ellen:

    Que texto lindo, embora triste...Mas a beleza existe até na tristeza...O texto em alguns pontos me lembrou a forma inquietante com que Clarice escrevia...Adorei a meninha que ilustra o post, linda ilustração!

    Parabéns! E como diria vc, Xero!

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  3. Obrigada gente!
    Marina escreve tristemente...
    xero.

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