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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Mais um...

Eram seis, e mais um estava visivelmente a caminho. A mais nova começava a andar. O mais velho teria no mínimo sete anos. Dois pareciam ser gêmeos.
A mãe segurava a mão da pequena, que não ficava quieta, queria andar, ou quase... Estava aprendendo ainda.
Os outros se amontoavam na calçada, sentados, pareciam uma escadinha, quase da mesma idade...
O pai ia comprar cigarros, quando um deles disse:
- Pai, traz pirulito?
Ao que o pai respondeu:
-Quer ficar diabético?!
E eles ficaram ali, com uma certa desolação nos olhos... Sujos, mal cuidados, com os cabelos despenteados...
A mãe para lá e para cá com a pequena...
As pessoas que passavam pela rua a olhavam e inevitavelmente pensavam: "mais um!". Ela retribuia os olhares e dava um sorriso tímido.
Uma conhecida se aproximou:
-"Tais" grávida de novo mulher?!
Ela se limitou a balançar a cabeça e abaixar os olhos...
A outra insistiu:
-Mas dessa vez tu opera né?!
Sem graça, e ainda de cabeça baixa, ela balançou novamente a cabeça.
A essa altura, as crianças cercavas as duas, curiosas. A conhecida ia embora, após o curto diálogo, cuidar de seus afazeres. As crianças puzeram-se em coro:
-Tchau tia! Tchau tia!
Enquanto a mãe permanecia ali, parada, constrangida...
O pai, voltava, com um cigarro na boca e pirulitos para os meninos. Tornariam-se todos diabéticos então...
Foram-se embora, enquanto eu os observava ali: pobre e rica!

Marina Castro

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Frio...




Faz frio...
Um frio de alma, um frio de vida.
Como um não pensar no que pode ou não acontecer.
Sempre pensamos que estamos livres 
ou que podemos ser alheios ao que acontece.
Mas os pensamentos nos rodeiam a nos cutucar, eles nos fazem perceber
a nossa impotência diante de certas circunstâncias...
O frio de corpo nos faz perceber a nossa sensibilidade,a nossa fragilidade.
Mas o frio de alma nos faz sentir vazios, tentando preencher o oco de dentro...
O vento sopra cada vez mais gelado nesse inverno.
A chuva não para de cair.
Tentamos a cada dia seguir a vida em frente, ignorando a lama pelo caminho... 

Marina Castro

terça-feira, 8 de junho de 2010

sábado, 5 de junho de 2010

Desafios de Nicole

Quando Nicole acordou naquela manhã, resolveu caminhar um pouco. As coisas não estavam muito fáceis para ela desde que perdera o emprego há alguns dias.
Nicole olhava para o céu, que parecia ainda mais azul naquela manhã, e pensava o que deveria fazer. Esperava que alguma oportunidade surgisse ao longo do dia. Chegaria cedo em casa para poder dar mais uma olhada no jornal, antes de ir para algumas entrevistas.
Pensava em seu filho James, e nas contas que se amontoavam sobre a mesa. Precisava conseguir alguma coisa, e logo...
Ao voltar para casa, James ainda dormia, acordou-o para que não se atrasasse para a escola. James deu um abraço em sua mãe e disse-lhe que tudo daria certo. Nicole sentia a esperança no olhar do filho. Mandou -o para a escola, arrumou-se e saiu de casa.
Vira um anúncio de recepcionista em uma empresa perto de sua casa. Conhecia uma das dona e estava confiante de que poderia conseguir a vaga.
E foi exatamente o que aconteceu. Nicole começou ainda naquela manhã. Não era grande coisa, comparado ao seu diploma de administração, mas ao menos poderia pagar as contas e cuidar do filho e estaria perto de casa. Até que conseguisse algo melhor, iria levando...
A pegar James no final da tarde, sabia que as coisas agora teriam um novo rumo. Tinham um ao outro, e ela agora tinha como pagar as contas...
Nada seria fácil, mas lutaria para fazer por James o melhor que pudesse, principalmente com a ausência do pai. 
Naquela noite, Nicole estava sentindo uma paz que estava ausente há muito tempo. Desde que Maurício fora embora, e que ela perdera o emprego, as coisas haviam saído do eixo, mas agora, ela parecia encontar um novo caminho... Sabia que as coisas encontrariam novamente seu rumo. Amava seu filho, e isso lhe bastava.
Olhou para o céu e adormeceu de forma doce...

          ...Pois ela, ela tinha as estrelas...



Marina Castro