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domingo, 23 de maio de 2010

Triste realidade de muitos...

Naquele momento, Camila encheu-se de compaixão. Mas, seria esta a palavra correta?
Bem, poderia ser ternura, carinho, pena, cuidado...
A mulher estava mal cuidada, cheirava mal. Camila nao sabia seu nome, quem era, de onde vinha... Mas estava na cara que ela precisava de cuidados.Além disso, tinha os olhos tristes de quem sempre sente vontade de falar algo, mas se cala por resignação.
Camila se eterneceu por perceber a simplicidade de alma e de vida de alguém que escondia o quanto sofrera na vida. No fundo, sabia que não havia muito que pudesse fazer, e em seu íntimo, sentia a solidão dos que almejam mudar a realidade do mundo.
A mulher foi embora do mesmo modo que entrou. Camila apenas a observou por alguns instantes, enquanto entrou, fez algumas perguntas e foi embora. Mas ela havia lhe deixado uma impresão que jamais se apagaria, pois a veria refletida em vários outros rostos de idosos abandonados e desrespeitadoa pela vida afora, depois de tanto vivido, tanto cuidado, tanto ensinado...

Marina Castro

quarta-feira, 12 de maio de 2010



Queria estar em um lugar assim...


... e esquecer que o resto do mundo existe!



Mas só um pouquinho...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Devaneios de Fernanda

Ele havia ido embora. Naquele instante ela percebeu.
Na realidade, jamais pudera dizer que ele realmente estava ali. O que sabia é que desejava ardentemente sua presença.
E Fernanda ficou desconsolada. Imaginava como seria toda a sua vida com a presença dele. O que iriam fazer, as cores com que coloririam todos os momentos e descobertas que fariam juntos.
Pensava nos momentos e descobertas importantes que fariam um sobre o outro, tinham muito o que aprender... Tinham livros para ler, passeios a fazer, músicas a ouvir, noites para ver o luar...
 
Fernanda tinha que se conformar, ele já não fazia parte da sua vida. Ela vira ele ir embora e nada podia fazer.
Ela se sentia murcha por dentro. Nada a alegrava, ligara a tv, mas suas cores e vozes apenas preenchiam o vazio da casa, fazendo-a se sentir ainda mais vazia. Imaginara uma perfeição que não existia, na vida real, tudo acontecia dessa forma: a imagem da perfeição que criara para si mesma em choque com a vida real, que bate todos os dias à nossa porta, nos mostrando aquilo que realmente era.
Interessante que estes acontecimentos aguçavam ainda mais a sua sensibilidade, nascera para sentir tudo intensamente, e na maioria das vezes, pouco era demais para ela. Em ocasiões assim, se permitia ir ao extremo. Não que exteriorizasse para que todos vissem, isso era apenas para si, aprendera há muito tempo que nem sempre podia se mostrar. Mas ela era assim, na tristeza ou na alegria.
Mas o mais importante de tudo que acontecera, apenas Fernanda sabia: aquele não era o fim da viagem, não da viagem da sua vida. Ele podia não fazer parte dela, mas alguém faria. Quem ou quando? Ela ainda não sabia. Isso não importava. Ela sabia sim, qua as coisas tem o seu momento certo de acontecer, e que embora a gente não entenda quando, porque e como, as coisas simplesmente acontecem porque tem que acontecer.
E ela? 
Estaria pronta.
Duvidam?


Marina Castro