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domingo, 7 de março de 2010

É preciso dizer adeus

Um dia, Clara chegou em casa e encontrou tudo fora do lugar. Não se espantou. Apenas caminhou vagarosamente até a cozinha e colocou um café para passar na cafeteira. Dirigiu-se até o quarto e o avistou enquanto tirava os sapatos. Ele, Marcos, a razão de tudo o que dava errado em sua vida.Sabia que toda a desordem da sua casa e da sua vida havia sido causada por ele. Agora ele dormia, com a cara de inocente que sempre fazia.
Ela sempre se perguntava porque permitia que ele voltasse para sua vida, se perguntava qual o motivo de ter-se apaixonado por ele. A realidade é que ela sempre acabava permitindo que voltasse, pra sua casa, pra sua vida, pra seu mundo, com todas as suas desculpas esfarrapadas...
Clara tinha uma vida modesta, e o encontrou pela primeira vez quando saía da escola, ainda respondendo aos questionamentos de um aluno. Ele estava a fumar um cigarro, e ela, ao olhar nos seus olhos, viu que além da fumaça e do olhar sombrio havia ali alguém que presisava de um pouco de atenção.
Aos poucos, os dois começaram a conversar, a se envolver. Ela fingia ignorar a vida de vagabundagem e desonestidade de Marcos. Começaram a sair e se envolver cada vez mais. Em um momento de paixão e insensatez, ela o convidou para morar consigo. Foi aí que começou o desandar da sua vida. Ela tentava organizar, e ele cada vez mais apenas conseguia destruir o que quer que ela conquistasse.
Agora ele estava ali, e ela tentava encontrar um jeito de mandá-lo embora da sua vida. Muitas vezes já tentara, mas não conseguia, pois o amava com urgência, com desejo, com inconsequencia...
Mas dessa vez, tinha que ser definitivo. Começou a arrumar mais uma vez a casa, colocar as coisas no lugar, mas cada objeto em que pegava, era uma pontada a mais que sentia, um desespero que a consumia...
Clara sabia que iria, mas não poderia outra vez fraquejar...
Ela sentou-se e tomou seu café a olhar para o nada...
Mas definitavamente, dessa vez sabia o que precisava fazer.

Marina Castro

4 comentários:

  1. É...
    Isso é o que mais acontece, amor bandido...
    Beijinhos

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  2. acho tão bonito esse nome, Clara. Todo conto que escrevo (e que não publico, deixo nas gavetas do guarda-roupa) tem alguma Clara ou Clarice, incrível. rs

    Texto bom de ler.

    Bjs.

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  3. Adorei o texto... E a foto...

    Querida obrigada pela visita e pelo comentario

    bjos

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