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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Arrogante?

Para ele, era um  dia como outro qualquer. Levantou-se após a noite mal dormida, o trabalho o aguardava e tinha poucos minutos antes de sair.
No caminho, refletia a respeito da reviravolta que se abatera em sua vida, enquanto olhava as casas e prédios do caminho, pensava em como tudo agora seria diferente. Não iria além de suas limitações, sabia que nem tudo era de sua responsabilidade. Era homem, mas nem por isso tinha a obrigação de aguentar todos os pesos do mundo.
No trabalho, todas as pessoas lhe pareciam vazias, e o que no que falavam não se encontrava sentido algum. Pensava que precisava encontrar um sentido, apesar de tudo.
- Eu preciso encontrar um sentido...
Disse para si mesmo, como em um sussurro... Passou o resto do dia a repetir isso em pensamento, sabendo que era preciso mais do que pensar, era uma questão de atitudinar...
O fato é que nunca se sentira tão perdido. Estava descobrindo aos poucos o quanto era frágil. alguma coisa espetava-lhe  por dentro, as não de modo positivo, afinal era um mal momento e as pessoas que faziam parte da sua vida e da sua estima estavam ainda mais perdidas que ele. Mas oras! Não podia salvar o mundo!!!
Desejava ardentemente encontrar um pouco que fosse de serenidade. Não sabia onde buscá-la.
Em sua ignorância, recusava-se a ver o que estava diante do próprio nariz, enquanto visualizava o próprio umbigo...

Marina Castro

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Desabafos de Marina

Estava zangada. Zangada consigo mesma, com a vida, com tudo. Não queria questionar as voltas que a vida dá, por que havia de passar por tantas coisas desagradáveis ou mesmo os motivos que a faziam sorrir. Não queria ser vítima. Buscava apenas a compreensão. Desejava as coisas simples. Gostava de passear, de ver o modo que as pessoas encaram o que vem pela frente e o jogo de cintura que faz a quase todos seguirem em frente.
Gostava dos questionamentos, dos se's que trazem tantas possibilidades de coisas novas, das reflexões que fazem desistir do que não convém.
Desejava possuir... Não coisas materiais. Carecia de explicações, de presença, de coisas que nem mesmo saberia explicar. Era muito independente, muitas vezes, gostava de estar só, mas algumas presenças eram fundamentais em sua vida.

Fazia planos de estudar, de crescer... Queria deixar de ser uma menina sem brilho, não para ser uma estrela, mas para encontrar o seu lugar no mundo.
Adorava fotografias. De tudo! De pessoas, animais lugares. De coisas simples... Adorava música. Ela era uma presença constante em sua vida. A leitura, uma de suas maiores paixões, andava meio esquecida. Buscava urgentemente reencorporá-la, mas custava e ter a concentração de que necessitava. Via muitas dessas coisas, as quais dava tanto valor ficando cada vez mais distantes...

Não entendia o porque de muitas vezes se sentir zangada. Na verdade, ela não se compreendia muito bem, e era daí que vinha o vazio que sentia tantas vezes... Especificamente naquele dia, se sentia zangada e presa, queria andar, andar... Colocar para fora o que estava sentindo, de repente correr, gritar... Ou apenas ver a noite passando enquanto o vento bagunçasse seus cabelos. Se sentia só, de uma solidão sem cura, ao menos por aquele instante.
O que buscava ela? Encontrar sua paz...
O que mais desejava naquele instante? A presença de uma linda menina com o sorriso mais lindo do mundo, juntamente com o bem estar de todos aqueles a quem amava...
Simplesmente deitou e adormeceu. Amanheceria outro dia.

Marina Castro
Ps: Achei o texto triste...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Como há muito tempo...

Resolveu sair de casa. Deixar sua concha, respirar outros ares.
Mais que isso, resolveu se arrumar. Escolheu um vestido bonito, que ainda não tinha usado. Colocou saltos, maquiagem, arrumou os cabelos.
Olhou-se no espelho. Muitos não a reconheceriam, pensou. Mas, depois de pronta, não fazia idéia de para onde ir.
Iria comer alguma coisa. Melhor que isso: iria comer uma coisa gostosa, que lhe desse prazer e que engordasse e muito! Mas onde? 
Não fazia idéia.
Decidiu ir para uma das melhores docerias da cidade, chegando lá, pediu uma das melhores tortas.
Estava sozinha, mas quem se importa?
Gostava de observar as pessoas, de ver seus gestos, principalmente quando pensam que ninguém está olhando.
A torta chegou, comeu pensando há  quanto tempo não se sentia tão bem consigo mesma. 
Depois resolveu caminhar. Havia esquecido o quanto isso lhe fazia bem. olhava para o céu, admirava as estrelas, sentia a brisa da noite...
Ao chegar em casa, tirou os sapatos e deitou suavemente na cama. Naquela noite, dormiu como há muito tempo não dormia, e via vida com outros olhos, fluindo livremente, como há muito não se permitia...

Marina Castro

terça-feira, 20 de julho de 2010

Café



O menino encostou-se ao lado dela no balcão.
- Moça, paga um café?
Ela olhou para ele e sorriu. Ele sorriu de volta.
- Um café para o menino, por favor.
Pagou o café e foi embora.
Ele sentou-se e ficou bebericando o café, tentando afastar o frio daquele dia cinzento.
Ela passou o resto do dia a pensar naqueles olhinhos brilhantes e ansiosos...

Marina Castro

E para os amigos que sempre passam por aqui:

 


RSRSRS
Brincadeira gente, ela tá aqui:


Feliz dia do amigo!
Xero grande!

domingo, 11 de julho de 2010

O presente

Naquele dia, resolveu comprar um presente para sua namorada. Não que fosse um dia especial, mas gostaria de fazer-lhe um agrado, afinal, ela era muito atenciosa e carinhosa com ele...
Marcou um encontro no parque às 19 horas. daria tempo de providenciar o presente assim que saísse do trabalho.
Pensava no que compraria para ela, queria algo que sempre estivesse presente... Lembrou-se então da romântica propaganda de perfumas que vira na TV na noite anterior. Seria isso! O perfume era perfeito para o que pensara.
Ao sair do trabalho, foi diretamente à loja de perfumes que ficava próximo ao parque. Entrou, e deu de cara com o perfume desejado. Dele, se aproximou a vendedora dizendo: 
-Esse perfume é muito bom, qualquer mulher que o receba de presente adorará!
Ele tímido, ergueu os olhos e deu de cara com a mulher mais linda que vira na vida!
Foi amor à primeira vista! Esqueceu-se da namorada e de tudo o mais.
Perguntou: 
- E você, já tem um desse?
A vendedora respondeu:
-Ainda não, não ganho para tanto...
- Vou levar, para presente.
Enquanto ela fazia a embalagem, ele convidou-a para jantar.
Enquanto jantavam, presenteou-a com o perfume. Conversaram a noite inteira...
Depois de seis meses, casaram-se.

A namorada, ainda hoje todos os dias vai até o parque, tentando entender o que aconteceu com o namorado sumido...

Marina Castro

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Mais um...

Eram seis, e mais um estava visivelmente a caminho. A mais nova começava a andar. O mais velho teria no mínimo sete anos. Dois pareciam ser gêmeos.
A mãe segurava a mão da pequena, que não ficava quieta, queria andar, ou quase... Estava aprendendo ainda.
Os outros se amontoavam na calçada, sentados, pareciam uma escadinha, quase da mesma idade...
O pai ia comprar cigarros, quando um deles disse:
- Pai, traz pirulito?
Ao que o pai respondeu:
-Quer ficar diabético?!
E eles ficaram ali, com uma certa desolação nos olhos... Sujos, mal cuidados, com os cabelos despenteados...
A mãe para lá e para cá com a pequena...
As pessoas que passavam pela rua a olhavam e inevitavelmente pensavam: "mais um!". Ela retribuia os olhares e dava um sorriso tímido.
Uma conhecida se aproximou:
-"Tais" grávida de novo mulher?!
Ela se limitou a balançar a cabeça e abaixar os olhos...
A outra insistiu:
-Mas dessa vez tu opera né?!
Sem graça, e ainda de cabeça baixa, ela balançou novamente a cabeça.
A essa altura, as crianças cercavas as duas, curiosas. A conhecida ia embora, após o curto diálogo, cuidar de seus afazeres. As crianças puzeram-se em coro:
-Tchau tia! Tchau tia!
Enquanto a mãe permanecia ali, parada, constrangida...
O pai, voltava, com um cigarro na boca e pirulitos para os meninos. Tornariam-se todos diabéticos então...
Foram-se embora, enquanto eu os observava ali: pobre e rica!

Marina Castro

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Frio...




Faz frio...
Um frio de alma, um frio de vida.
Como um não pensar no que pode ou não acontecer.
Sempre pensamos que estamos livres 
ou que podemos ser alheios ao que acontece.
Mas os pensamentos nos rodeiam a nos cutucar, eles nos fazem perceber
a nossa impotência diante de certas circunstâncias...
O frio de corpo nos faz perceber a nossa sensibilidade,a nossa fragilidade.
Mas o frio de alma nos faz sentir vazios, tentando preencher o oco de dentro...
O vento sopra cada vez mais gelado nesse inverno.
A chuva não para de cair.
Tentamos a cada dia seguir a vida em frente, ignorando a lama pelo caminho... 

Marina Castro

terça-feira, 8 de junho de 2010

sábado, 5 de junho de 2010

Desafios de Nicole

Quando Nicole acordou naquela manhã, resolveu caminhar um pouco. As coisas não estavam muito fáceis para ela desde que perdera o emprego há alguns dias.
Nicole olhava para o céu, que parecia ainda mais azul naquela manhã, e pensava o que deveria fazer. Esperava que alguma oportunidade surgisse ao longo do dia. Chegaria cedo em casa para poder dar mais uma olhada no jornal, antes de ir para algumas entrevistas.
Pensava em seu filho James, e nas contas que se amontoavam sobre a mesa. Precisava conseguir alguma coisa, e logo...
Ao voltar para casa, James ainda dormia, acordou-o para que não se atrasasse para a escola. James deu um abraço em sua mãe e disse-lhe que tudo daria certo. Nicole sentia a esperança no olhar do filho. Mandou -o para a escola, arrumou-se e saiu de casa.
Vira um anúncio de recepcionista em uma empresa perto de sua casa. Conhecia uma das dona e estava confiante de que poderia conseguir a vaga.
E foi exatamente o que aconteceu. Nicole começou ainda naquela manhã. Não era grande coisa, comparado ao seu diploma de administração, mas ao menos poderia pagar as contas e cuidar do filho e estaria perto de casa. Até que conseguisse algo melhor, iria levando...
A pegar James no final da tarde, sabia que as coisas agora teriam um novo rumo. Tinham um ao outro, e ela agora tinha como pagar as contas...
Nada seria fácil, mas lutaria para fazer por James o melhor que pudesse, principalmente com a ausência do pai. 
Naquela noite, Nicole estava sentindo uma paz que estava ausente há muito tempo. Desde que Maurício fora embora, e que ela perdera o emprego, as coisas haviam saído do eixo, mas agora, ela parecia encontar um novo caminho... Sabia que as coisas encontrariam novamente seu rumo. Amava seu filho, e isso lhe bastava.
Olhou para o céu e adormeceu de forma doce...

          ...Pois ela, ela tinha as estrelas...



Marina Castro

domingo, 23 de maio de 2010

Triste realidade de muitos...

Naquele momento, Camila encheu-se de compaixão. Mas, seria esta a palavra correta?
Bem, poderia ser ternura, carinho, pena, cuidado...
A mulher estava mal cuidada, cheirava mal. Camila nao sabia seu nome, quem era, de onde vinha... Mas estava na cara que ela precisava de cuidados.Além disso, tinha os olhos tristes de quem sempre sente vontade de falar algo, mas se cala por resignação.
Camila se eterneceu por perceber a simplicidade de alma e de vida de alguém que escondia o quanto sofrera na vida. No fundo, sabia que não havia muito que pudesse fazer, e em seu íntimo, sentia a solidão dos que almejam mudar a realidade do mundo.
A mulher foi embora do mesmo modo que entrou. Camila apenas a observou por alguns instantes, enquanto entrou, fez algumas perguntas e foi embora. Mas ela havia lhe deixado uma impresão que jamais se apagaria, pois a veria refletida em vários outros rostos de idosos abandonados e desrespeitadoa pela vida afora, depois de tanto vivido, tanto cuidado, tanto ensinado...

Marina Castro

quarta-feira, 12 de maio de 2010



Queria estar em um lugar assim...


... e esquecer que o resto do mundo existe!



Mas só um pouquinho...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Devaneios de Fernanda

Ele havia ido embora. Naquele instante ela percebeu.
Na realidade, jamais pudera dizer que ele realmente estava ali. O que sabia é que desejava ardentemente sua presença.
E Fernanda ficou desconsolada. Imaginava como seria toda a sua vida com a presença dele. O que iriam fazer, as cores com que coloririam todos os momentos e descobertas que fariam juntos.
Pensava nos momentos e descobertas importantes que fariam um sobre o outro, tinham muito o que aprender... Tinham livros para ler, passeios a fazer, músicas a ouvir, noites para ver o luar...
 
Fernanda tinha que se conformar, ele já não fazia parte da sua vida. Ela vira ele ir embora e nada podia fazer.
Ela se sentia murcha por dentro. Nada a alegrava, ligara a tv, mas suas cores e vozes apenas preenchiam o vazio da casa, fazendo-a se sentir ainda mais vazia. Imaginara uma perfeição que não existia, na vida real, tudo acontecia dessa forma: a imagem da perfeição que criara para si mesma em choque com a vida real, que bate todos os dias à nossa porta, nos mostrando aquilo que realmente era.
Interessante que estes acontecimentos aguçavam ainda mais a sua sensibilidade, nascera para sentir tudo intensamente, e na maioria das vezes, pouco era demais para ela. Em ocasiões assim, se permitia ir ao extremo. Não que exteriorizasse para que todos vissem, isso era apenas para si, aprendera há muito tempo que nem sempre podia se mostrar. Mas ela era assim, na tristeza ou na alegria.
Mas o mais importante de tudo que acontecera, apenas Fernanda sabia: aquele não era o fim da viagem, não da viagem da sua vida. Ele podia não fazer parte dela, mas alguém faria. Quem ou quando? Ela ainda não sabia. Isso não importava. Ela sabia sim, qua as coisas tem o seu momento certo de acontecer, e que embora a gente não entenda quando, porque e como, as coisas simplesmente acontecem porque tem que acontecer.
E ela? 
Estaria pronta.
Duvidam?


Marina Castro

domingo, 11 de abril de 2010

As chuvas de Cecília

Cecília vivia apenas com o amor que fazia sua vida funcionar e com os sonhos e vontades que nunca iam embora.
Mas Cecília queria mais, muito mais. Não em questões materiais, mas pessoais, vivenciais, sentimentais...
A cada dia complementava seus pensamentos com um detalhe a mais.
Detalhes da casa que imaginava ser o seu cantinho.
Cantinho este com quem dividiria o amor, a vida... Desejava imensamente isso.
Isso e o filho que sempre quis, se imaginava a cuidar dele, dele não! Deles. Sim mais de um. Dois ou quem sabe três. Sempre pensou em adotar uma criança também. Se via cuidando deles, contando histótias, afastando seus medos, correndo na chuva... Mas nem ao menos sabia se esses filhos viriam, ou se seria capaz de cuidar deles de verdade.
Cecília queria uma família.
Quando saía pelas ruas, refletia sobre sua vida, pensava ...
De repente, começou a chover e ela saiu de seus devaneios. Andava tão triste ultimamente, e por mais que tentasse não conseguia afastar essa tristeza. Mas, ao ver a chuva, inquietou-se.
Ela sabia que precisava disso, dessa chuva que poderia acalmar o seu coração. Decidiu sair. Tirou os sapatos e pôs-se a andar na chuva. Em pouco tempo não mais andava... Corria, gritava, pulava, colocava para fora tudo o que se passava dentro de si. A água que lhe corria pelo corpo não estava tão fria assim. Ela adorava poder estar ali. Adorava a chuva. Adorava poder não pensar...
Chegou em casa. Tomou um banho quente, deitou-se e pegou um bom livro, coisa que há muito tempo não fazia. Leu um pouco. Ficou com sono. Adormeceu. 
Ao acordar, voltou a pensar em tudo que desejava realizar, mas sabia que não estava só. Saber que nao estava só trazia paz ao seu coração.
Cecília não sabia ao certo o que estava por vir, mas sabia que cada coisa viria a seu tempo.




Esperaria então a próxima chuva...

Marina Castro

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A volta

Ângela saiu de casa em descompasso. Queria encontrá-lo para contar a novidade o mais rápido possível.
O encontrou de porre. Era sempre assim, pensou. Ele nunca lhe dava tanta atenção quanto merecia. muito menos depois de tudo o que aconteceu a Mateus.
A felicidade de  Ângela abrandou um pouco. Esperara tanto aquele momento... Mas compreendia a tristeza de Humberto. 
Resolveu chamá-lo:
- Humberto vamos para casa! ( a novidade teria que esperar...)
Levou-o, fez um café bem forte e esperou até que ele tivesse condições de ouvi-la.
Então, olhou-o fixamente e disse:
-Ele vai voltar.
-Quando?
-Chega amanhã. Telefonaram avisando.
Os dois não contiveram o choro. Abraçaram-se. Passaram a noite inteira acordados sem conseguir conter a ansiedade de tê-lo de volta em casa.
Há dois anos ele estava na clínica, tentando se livrar das drogas. Mateus, seu único filho...
Por algum tempo, ficaram desnorteados, sem ao menos saber o que fazer. Foi muito difícil interná-lo,  ter o filho longe, mas era para o bem dele. 
Sabiam o quanto ainda seria difícil e o quanto era importante ter seu  filho de volta depois de tanto tempo...
Ele estava limpo, livre de novo, com uma batalha imensa pela frente.
Não sabiam ao certo o que fazer, como agir, mas existia o amor, amor este sabiam que apenas eles sentiam pelo filho e havia a fé de que tudo se encaixaria outra vez...
Era chegada a hora. Iriam buscá-lo e seriam felizes outra vez.
No grande encontro, abraçaram-se emocionados. Mateus agradecia e pedia perdão por todo sofrimento que causara aos pais. 
Ângela apenas falou:
-Calma filho, vamos começar tudo de novo e seremos muito felizes. Você vai ter uma nova vida e ainda quero carregar meus netos no colo...
E Mateus, com seus 23 anos, olhou para os pais e sorriu, um sorriso como os de 7 anos atrás, sem aflição ou medo, sem ansiedade. Sabia que estava a ponto de reconstruir toda a sua vida, que se perdeu após entrar nesse mundo sombrio... Mas esta já é outra história...



Marina Castro

segunda-feira, 22 de março de 2010

Para ser feliz


"Na maioria das vezes precisamos de tão pouco para ser felizes...
Um abraço, um beijo, um carinho, uma palavra, um gesto, um olhar...
Fazer algo, ou simplesmente um momento para não fazer nada...

As pequenas coisas, os pequenos gestos
que nos modificam, nos tornam quem somos, 
nos fazem ter aquela vontade de viver...

O valor do que possuímos não é tão fácil assim de medir
O amor e o cuidado dos que nos rodeiam
são o nosso bem mais precioso...

Auto-estima é tudo!
Sentir-se aceito e amado é o que todos buscam
mas que só se encontra em quem verdadeiramente nos ama...

Nada mais importa, somos o que somos em essência
sem máscaras, sozinhos no escuro do quarto
ou aquilo que sentimos em meio às multidões da vida...

Em busca apenas do que nos faz bem, 
seja onde quando ou com quem for e felizes aqueles que 
encontram quem verdadeiramente traz aceitação e amor para suas vidas."

Marina Castro

Para alguém que me trouxe muito mais que isso...
AV

terça-feira, 16 de março de 2010

Segredo?

Alice resolveu naquele dia ir ao seu encontro. Não sabia muito bem o que esperar de Roberto.
encontrou-o a caminho de algum lugar que não quis dizer qual era. Ela olhou-o nos olhos profundamente e disse: 

- Precisamos conversar.
Ele, como sempre, suspirou. Deveria estar pensando: o que virá dessa vez... Ao invés de resmungar, apenas falou:
- Tudo bem.

Caminharam um longo tempo em silêncio, um silêncio profundo, até que ela disparou:
-Lembra que disse que estava interessada em um cara?
-Claro, você me falou isso semana passada. 

Roberto abaixou os olhos, triste, sempre amara Alice, nunca tivera coragem para lhe dizer...
Agora ela estava ali, restes a dizer o nome do cara que em segredo de amizade tinha confessado que amava... Ele pensava se iria aguentar ouvir sem reagir... 
Resolveu não perguntar, ficar em silêncio. Quem sabe ela desistia de falar, quem sabe ele conseguiria fugir daquela situação...
Alice quebrou novamente o silêncio:

-É você.

E num impulso ele a tomou nos braços, num beijo que parecia infinito.
Amavam-se em segredo, com medo de estragar uma amizade de anos e anos...
Agora poderiam viver como realmente eram: apaixonados. Não sabiam explicar ao certo como aquilo acontecera, mas agora...

Saíram de mãos dadas pelas ruas. Não precisavam mais de palavras.
Apenas amavam-se. O resto não importava. Não importava se duraria, não acreditavam no pra sempre há muito tempo... Apenas queriam viver o que a vida lhes presenteava naquele instante.
E por várias noites, amaram-se e dormiram de pernas entrelaçadas.

Marina Castro

domingo, 7 de março de 2010

É preciso dizer adeus

Um dia, Clara chegou em casa e encontrou tudo fora do lugar. Não se espantou. Apenas caminhou vagarosamente até a cozinha e colocou um café para passar na cafeteira. Dirigiu-se até o quarto e o avistou enquanto tirava os sapatos. Ele, Marcos, a razão de tudo o que dava errado em sua vida.Sabia que toda a desordem da sua casa e da sua vida havia sido causada por ele. Agora ele dormia, com a cara de inocente que sempre fazia.
Ela sempre se perguntava porque permitia que ele voltasse para sua vida, se perguntava qual o motivo de ter-se apaixonado por ele. A realidade é que ela sempre acabava permitindo que voltasse, pra sua casa, pra sua vida, pra seu mundo, com todas as suas desculpas esfarrapadas...
Clara tinha uma vida modesta, e o encontrou pela primeira vez quando saía da escola, ainda respondendo aos questionamentos de um aluno. Ele estava a fumar um cigarro, e ela, ao olhar nos seus olhos, viu que além da fumaça e do olhar sombrio havia ali alguém que presisava de um pouco de atenção.
Aos poucos, os dois começaram a conversar, a se envolver. Ela fingia ignorar a vida de vagabundagem e desonestidade de Marcos. Começaram a sair e se envolver cada vez mais. Em um momento de paixão e insensatez, ela o convidou para morar consigo. Foi aí que começou o desandar da sua vida. Ela tentava organizar, e ele cada vez mais apenas conseguia destruir o que quer que ela conquistasse.
Agora ele estava ali, e ela tentava encontrar um jeito de mandá-lo embora da sua vida. Muitas vezes já tentara, mas não conseguia, pois o amava com urgência, com desejo, com inconsequencia...
Mas dessa vez, tinha que ser definitivo. Começou a arrumar mais uma vez a casa, colocar as coisas no lugar, mas cada objeto em que pegava, era uma pontada a mais que sentia, um desespero que a consumia...
Clara sabia que iria, mas não poderia outra vez fraquejar...
Ela sentou-se e tomou seu café a olhar para o nada...
Mas definitavamente, dessa vez sabia o que precisava fazer.

Marina Castro